Traduções

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A Mulher Perfeita.


Certa tarde, conta uma antiga história sufi, Nasrudin tomava chá e conversava com um amigo sobre a vida e o amor.


- "Por que você nunca se casou, Nasrudin?", perguntou o amigo.


- "Bem", respondeu, Nasrudin, "para dizer a verdade, passei toda a minha juventude a procurar a mulher perfeita.

No Cairo conheci uma moça linda e inteligente, com olhos que pareciam olivas pretas, mas ela não era muito cortês. Depois, em Bagdá, conheci uma mulher de alma generosa e amiga, mas não tínhamos muitos interesses em comum. Muitas mulheres passaram pela minha vida, mas em cada uma delas faltava alguma coisa, ou alguma coisa estava demais. Então, um dia, eu a conheci. Era linda, inteligente, generosa e bem-educada. Tínhamos tudo em comum. Na verdade, ela era perfeita".


- "E então", replicou o amigo de Nasrudin, "o que aconteceu? Por que você não se casou com ela?".


Pensativo, Nasrudin sorveu mais um gole de chá e concluiu: "Infelizmente, parece que ela estava à procura do homem perfeito”.

Como Nasrudin, quase todos nós queremos encontrar a perfeição fora de nós mesmos.

Criamos em nossa cabeça a imagem ideal da mulher ou do homem que buscamos, projetamos essa imagem em cima do namorado ou namorada, da esposa ou marido, e queremos que ele ou ela corresponda a essa imagem. Ao alimentar essa expectativa utópica, perdemos a capacidade de entender e gostar do ser humano real ao qual nos ligamos. E, muitas vezes, como ele ou ela não podem corresponder a essa expectativa - pelo simples fato de que ela é produto da nossa idealização e dos nossos desejos fantasiosos -, acabamos, frustados, por rejeitar a pessoa com quem nos relacionamos, quase sempre sem ter sequer "conhecido" essa pessoa.

Nenhum comentário:

Pesquisar este blog

Postagens populares